Luís Vaz de Camões


( 1524 - 1580 )

Maior Poeta Português

De Camões, em pura verdade, pouco sabemos. Nasceu pobre, viveu pobre, morreu mais pobre ainda (senão miseravelmente), ele, que amontoou bens que milhares e milhares de homens não têm chegado para delapidar. E será difícil exaurir tão fabulosa fortuna. Porque – quem o duvida? – foi Camões que deu à nossa língua este aprumo de vime branco, este juvenil ressoar de abelhas, esta graça súbita e felina, esta modulação de vagas sucessivas e altas, este mel corrosivo da melancolia. Daí ser raro o verso português digno de tal nome que as águas camonianas não tenham molhado de luz, desde as mais ásperas das suas consoantes às suas vogais mais brandas.

[..] Afinal, este homem que deixou fama de desabusado, este pobre soldado raso que regressa de Ceuta a “manquejar de um olho” (para o dizermos com terríveis palavras suas), que serviu na Índia durante cerca de três lustros sem sequer ter ganho para as passagens de regresso à pátria, este homem que, segundo um dos seus primeiros biografos, ao morrer não tinha um lençol para mortalha, estava destinado a consolidar a Hierarquia com o seu Canto – supremo ressoar das águas de todos os nossos mares e de todos os nossos olhos.

Eugénio de Andrade
IN: Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões





Amor é Fogo que Arde

O dia em que nasci moura e pereça

Tanto de meu estado me acho incerto

Excertos dos "LUSÍADAS"



    

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